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Cérebro não renova suas células, diz novo estudo

12/08/2006
Estadão - A maioria dos órgãos do corpo morre e renasce aos poucos: por exemplo, a cada dois anos, todas as células do fígado são trocadas por novas. Mas pesquisadores do Karolinska Institutet, da Suécia, confirmam uma importante exceção desta regra: as células nervosas do cérebro se mantêm as mesmas por toda a vida.

Cientistas já suspeitavam que os neurônios do cérebro não tinham capacidade renovação, mas estudos recentes em macacos e ratos passaram a indicar que células cerebrais poderiam, afinal, se recriar em mamíferos, incluindo no homem. Um problema com essas descobertas, porém, foi a metodologia, já que o modo mais usual de avaliar a idade de uma célula nervosa é complicado e gera resultados controversos.

O pesquisador Jonas Frisén, do Karolinska Institutet, propôs uma forma de resolver a questão, usando uma tecnologia de testes nucleares dos tempos da guerra fria. Ele usou uma variação do método de carbono 14, baseado no fato de que a concentração de carbono 14 - uma versão mais pesada do átomo de carbono - na atmosfera atingiu o nível máximo durante a época dos testes de armas atômicas. Ao estudar a proporção de carbono 14 em células de animais e plantas com a taxa atmosférica, ele foi capaz de determinar quando as células haviam nascido.

Uma equipe composta por Frisén, além de outros cientistas suecos, australianos e americanos, mediram os níveis de carbono 14 nos neurônios de adultos, e demonstraram que a concentração nessas células era idêntica à concentração atmosférica quando do nascimento da pessoa. Ou seja, nenhuma nova célula nasceu no neocórtex das pessoas examinadas entre a infância e a vida adulta.

Os pesquisadores destacam algumas limitações do trabalho - por exemplo, se as células novas forem muito poucas (menos de 1% do total) elas podem não ter sido detectadas; além disso, pesquisas em macacos mostram que células novas do cérebro podem ter uma vida muito curta. Se esse for o caso, diz a equipe sueca, as células novas do cérebro humano não duram mais de quatro meses. O trabalho também não descarta a possibilidade de regeneração após uma doença, como um derrame  Envie este artigo


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